Com pouca receita, Santa Cruz suspende pagamento de acordos extrajudiciais

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Com pouca receita, Santa Cruz suspende pagamento de acordos extrajudiciais
Augusto, que deixou o Santa Cruz em 2019, é um dos atletas que possuem acordo com o clube — Foto: Marlon Costa/ Pernambuco Press

Nos últimos anos, o Santa Cruz acostumou-se a fazer acordos com jogadores e funcionários. Ao terminar a temporada e detectar que ainda devia salários, o clube propunha um trato que previa o pagamento do valor em algumas parcelas. Só que, por causa da pandemia do novo coronavírus, estes pagamentos terão de ser suspensos.

O acordo é uma tentativa do clube para se livrar de outros processos judiciais. O atacante Augusto, que defendeu o Santa Cruz de 2017 a 2019 e hoje está no América-RN, representa um desses casos. Acionou o clube na Justiça do Trabalho, mas depois retirou a ação ao aceitar um remodelamento proposto pelo clube.

- A gente vai pausar os acordos extrajudiciais que o clube tem. Desde 2018, quando Constantino Júnior assumiu a presidência, a gente fez um levantamento de toda a dívida que o time tinha com jogadores, comissão técnica, funcionários que fizeram esse acordo, seja dos que saíram aos que estavam lá. Acordamos, parcelamos, com alguns até parcelamos por vários anos, foram acordos extensos, mas com parcelas pequenas. Temos uma espécie de folha paralela só para acordos extrajudiciais - disse Italo Mendes, membro do núcleo gestor do clube.

Segundo Italo, o Santa Cruz contabilizou mais de R$ 6 milhões de dívidas só com acordos extrajudiciais. Tinha pago a metade disso, mas vai ter que parar de pagar. Do contrário, vai gastar mais do que recebe. O Santa contabiliza perder 40% dos sócios e 50% dos valores de patrocínios da camisa durante o período da pandemia do novo coronavírus.

- Essa folha está no montante de R$ 85 mil por mês. Já chegou a ser de R$ 150 mil por mês. No nosso levantamento, essa dívida era de R$ 6 milhões e 300 mil. Disso, a gente já pagou 50%. Isso tudo vai ser pausado por dois ou três meses por causa da pandemia. A nossa prioridade é pagar a folha do elenco atual e dos funcionários que permanecem no clube - completou Italo.

 

Funcionários vão passar por readequação

Ainda segundo Italo Mendes, os funcionários do Santa Cruz irão passar por uma readequação salarial, que está prevista na medida provisória (MP) editada pelo governo federal que permite a suspensão dos contratos e a redução do salário e da jornada.

- É claro que os funcionários atuais que recebem menos de R$ 3.135,00, a gente vai usar os benefícios da medida provisória do governo federal, que saiu no dia 1º de abril. Ela permite que você faça suspensão do contrato ou redução de jornada. Tem setor do clube que está totalmente parado. Nestes, vamos suspender os contratos. Jogamos um subsídio de 70% para o governo pagar com o recurso do seguro desemprego e temos a ajuda compensatória de 30% do salário do funcionário.

Os funcionários que recebem mais de R$ 3.135,00 dependem de acordo coletivo entre o clube e os sindicatos de cada categoria. Os jogadores ainda não negociaram a redução salarial e têm uma forma diferente de tratar isto, já que recebem parte dos vencimentos na carteira de trabalho e outra parte como direitos de imagem.